Quando em 2010 realizei a 1ª edição do Estudo de Gestão de Conhecimento em Portugal com a Maria José Sousa, considerámos relevante caracterizar a abordagem que as organizações adotam face à gestão de conhecimento. Na altura definimos um modelo que, de forma simples e com os dados que recolhemos na altura, nos permitia classificar a abordagem como estratégica, operacional, intencional (no sentido de que têm intenção de fazer) ou informal.

Uma das “grandes” afirmações que fizemos com o modelo proposto é a de que todas as organizações “fazem” gestão de conhecimento, ainda que de forma inconsciente, sem recursos e mecanismos explicitamente alocados a esse fim. A essa abordagem chamámos “informal”.

O modelo de classificação da abordagem usado foi o seguinte:

Abordagem Condições
Estratégica A organização tem responsável pela GC e estratégia de GC
Operacional A organização tem responsável pela GC ou estratégia de GC
Intencional A organização tem sponsor de GC e/ou faz referência à GC na estratégia
Informal A organização tem atividades ou ferramentas de GC

 

Considerando os resultados da edição de 2015, e olhando para trás no tempo, vemos algumas mudanças no tipo de abordagem das organizações à gestão de conhecimento.

Comparação da abordagem à gestão de conhecimento (PT - 2010 a 2015)

Abordagem das organizações em Portugal à gestão de conhecimento (evolução comparativa dos anos 2010, 2011 e 2015)

Comparativamente à edição de 2011, nota-se um aumento de mais de 3% nas organizações em Portugal que adotam uma abordagem estratégica à gestão de conhecimento, isto é, que têm uma estratégia de GC e uma pessoa responsável pela sua operacionalização. Sinto que este é um bom reflexo daquilo que observo no meu dia-a-dia de trabalho com as organizações.

O que não me parece uma boa representação, porém, foi o valor (inflacionado, parece-me!) registado em 2010, aquando da primeira edição do Estudo.

É interessante ver a diminuição de organizações a adotar uma abordagem operacional (responsável pela GC ou estratégia de GC), ao mesmo tempo que aumenta a percentagem de organizações que manifestam o propósito de apostar na gestão de conhecimento (abordagem intencional).

Estou bastante curiosa para ver de que forma a nova norma ISO 9001:2015 vai influenciar este panorama já que, com a explícita referência a práticas de gestão de conhecimento na norma, é natural que mais organizações apostem numa abordagem mais estratégica nesta disciplina organizacional.

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Vale a pena ver que, neste momento, a conformidade com normas de qualidade / processos de certificação é apenas vista como um benefício da gestão de conhecimento por 20,71% das organizações em Portugal, uma redução significativa desde 2010.

Benefícios procurados (Portugal, 2010 a 2015)

Benefícios que as organizações em Portugal procuram através da GC. Gráfico comparativo das 4 edições do estudo (2010, 2011, 2013 e 2015)